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13 de dezembro de 2010

30 anos sem Lennon

Há 30 anos morria assassinado o cara que pediu uma chance à paz, que imaginou um mundo mais humano, um mundo sem disputas de qualquer espécie, onde a única Religião seria o Amor, não esse "amor" que ouvimos a todo instante nas canções água com açucar que nos são impostas pela grande mídia com a clara intenção de imbecilizar o povo, mas a resistência está aí, obras consistentes com grande conteúdo, vibram e vibrarão por muitos e muitos séculos, amenizando nossas duras existências e combatendo a mediocridade autômata, obras como a de John por exemplo.

Vale a pena ler o texto do Vinicius do "Pilha na Vitrola" e conferir os lançamentos em homenagem à este verdadeiro ídolo pop não fabricado que foi, é e será o nosso John Lennon.


Mario Medella


Músico em excelência e músicas de excelência. Podem ser tratados assim tanto o cantor, guitarrista, pianista e compositor John Lennon, como suas canções.

Se fosse vivo, teria completado 70 anos em 9 de outubro, e sabe-se lá quantas pérolas mais não teria produzido. Sua obra, relançada agora em belíssimas edições e ainda desconhecida por muitos, vai além dos indiscutivelmente fantásticos álbuns gravados ao lado de Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr.

Com o fim dos Beatles, anunciado por McCartney em 1970, Lennon, que já havia produzido os discos Two Virgins, Life With The Lions, Wedding Álbum, além do ao vivo Live Peace in Toronto, ainda nos anos 1960 (estes não fazem parte do pacote de relançamentos) mergulhou, ao lado de Yoko Ono, na carreira solo.

Com comemoração mundial, a obra do músico britânico cuja voz há mais de 40 anos cantou e lutou pela paz no mundo, está disponível em uma caixa batizada John Lennon Signature (EMI Records, R$ 1.000 em média), importada no mercado brasileiro.

A caixa traz, além dos oito discos de estúdio, dois outros álbuns (Home Tapes e Singles) com gravações caseiras inéditas e singles, além de um livro com textos escritos por Yoko Ono, Sean Lennon e Julian Lennon especialmente para a edição comemorativa. Os discos foram remasterizados a partir das fitas originais e supervisionados pessoalmente por Yoko, que tratou de dar mais ênfase à voz do cantor e deixar a sua própria (quando canta junto) com menos destaque. [pg] Para quem não pretende desembolsar muito dinheiro, há outra opção. Os títulos John Lennon/Plastic Ono Band, Imagine, Some Time in New York City, Mind Games, Walls and Bridges, Rock 'N' Roll, Double Fantasy/Stripped Down e Milk and Honey também podem ser adquiridos separadamente (estes sim, lançados no mercado brasileiro) e custam em média R$ 34,90 cada, com exceção do duplo Double Fantasy/Stripped Down (R$ 54 em média). Lançados em formato digipack, os discos contêm livreto com informação adicional, letras e fotos.

Estão disponíveis também duas compilações. A primeira, Gimme Some Truth (R$ 160 em média), traz quatro CDs. Na lista de canções estão Instant Karma! (We All Shine On), Steel And Glass, Mind Games e uma versão ao vivo para Yer Blues. No total são 72 composições.

A segunda é Power to the People: The Hits (R$ 39,90 em média). Entre as músicas escolhidas estão além da faixa homônima, Gimme Some Truth, Woman, Imagine, Give Peace a Chance e Jealous Guy. Há uma versão do álbum que traz também um DVD (R$ 59 em média) com 15 vídeos, entre eles, Whatever Gets You Thru the Night, Mind Games, Stand By Me e #9 Dream, por exemplo.

Se a sugestão é comemorar e relembrar a música de John, como a própria Yoko disse. "Acorde ouvindo a voz de John. Aproveite. Dance com ela em seu coração. Mantenha John perto de você. Ele ama você". Então, chegou a chance.


Por Vinicius Castelli


Blog Pilha na Vitrola

30 de outubro de 2010

O Teatro Mágico

Estava eu em pleno domingão lusco-fusco, usufruindo uma desintoxicante sauninha, lá no oeste do Belmonte, sob os auspícios da mulher amada, que a alguns metros acima da minha cabeça, preparava um estonteante bacalhau a espanhola, quando surgiu à porta do pequeno e agradável inferno meu amigo Júlio Júnior, mais conhecido como Julinho, que não é da Adelaide, e como papo de melômano é música, começamos a tertúlia, enquanto assavamos, falando sobre bandas e artistas novos. Papo vai papo vem, ele comentou sobre uma banda, ou melhor, uma trupe, "O Teatro Mágico", uma galera que une a música ao circo, a poesia e ao teatro, imediatamente minha memória foi até o "Grande Circo Místico" e ao velho e inesquecível "Asdrubal Trouxe o Trombone", lembrei-me também do "Tangos & Tragédias e da "Intrépida Trupe, mas confessei ao julinho desconhecer o trabalho dessa turma, prometi porém, como bom melômano, fazer um minucioso levantamento auditivo do materal disponível do "O Teatro Mágico".

Pois é... alguns dias se passaram e olha a galera aqui no Paz & música, o que significa terem passado pelo rigoroso critério de seleção do blog, que não deixa se enganar por invencionices e pataquadas rotuladas de modernidade, vanguarda, experimentalismo conceitual e outros bichos. Música é música e ponto. O que me chamou muita atenção, além da excepcional estética visual, foram as letras das canções, vale muito a pena conferir. Abaixo o Jabá.


Por Mario Medella


"Segundo Ato" é o mais recente álbum de Fernando Anitelli e sua trupe. As composições escolhidas colocam em debate o homem e a sociedade na qual vive. No primeiro CD (Entrada para Raros), a trupe estava imersa num universo paralelo, num lugar onde tudo era possível, "falávamos de lutar pelos nossos ideais, pelos sonhos. No "Segundo Ato", a gente dialoga sobre como realizar isso. É como se a trupe chegasse na cidade e se deparasse com as questões sociais e urbanas, como o cotidiano dos mendigos citados na música "Cidadão de Papelão" ou a problemática da mecanização do trabalho, questionada na canção "O Mérito e o Monstro". Indo mais além, na música "Xanéu nº53", há um debate sutil e, por vias opostas, mordaz, sobre o amontoado de informações que absorvemos, sem perceber, assistindo aos programas de TV da atualidade", explica Anitelli.

A trupe criada por Fernando Anitelli, já projeta a criação da terceira etapa, buscando aprofundar ainda mais os debates que cercam a sociedade desigual e desumana que nos rodeia. Procurando explorar a questão do livre compartilhamento das músicas na Internet defendendo a bandeira da musica livre, o Teatro Mágico passa, cada vez mais, a se apresentar com um perfil mais questionador e contestador. Essas transformações não poderiam, no entanto, encobrir o universo lúdico e fantasioso da trupe, mas sim, acrescentar uma pitada de realismo no conteúdo em geral, incorporando o lema de endurecer sem jamais perder a ternura.

É importante ressaltar que, após o assédio para que o coletivo finalmente se integrasse ao mainstream musical, assumindo uma grande gravadora, uma grande assessoria de imprensa, uma grande produtora etc, o Teatro Mágico preferiu ser conservador na inovação que trouxe ao mercado: organizar e fazer as coisas ao lado do seu grande incentivador, patrocinador e produtor: o público. Assim, o CD é vendido a preços populares e a distribuição das músicas é gratuita e livre pela Internet, com a diferença que desta vez, houve um investimento grande na produção dos fonogramas, comprovando assim, que mesmo no formato independente, é possível se fazer algo de qualidade e acessível.

Veja o vídeo


Para realizar o download, clique no link a seguir:
[O Teatro Mágico]

Tulipa Ruiz - Efêmera

A cantora paulistana Tulipa Ruiz é filha de Luiz Chagas (da Isca de Polícia, que acompanhava Itamar Assumpção em discos e shows) e irmã de Gustavo Ruiz (das desativadas DonaZica e Trash Pour 4). E foi o próprio Gustavo que produziu "Efêmera", o disco de estréia, que chegou às lojas no começo deste ano de 2010. Com participações de, entre outros, Thalma de Freitas, Céu e Zé Pi, da banda Druques - que divide com a anfitriã os vocais em "Só Sei Dançar com Você" -, o trabalho escoa a boa produção autoral da cantora.

Como costumo dizer, há Pops e pops, e tulipinha se enquadra, sem sombra de dúvida no primeiro caso. Sua voz chega por vezes a lembrar a mineirinha Titane, apesar dos estilos um tanto diferentes. Ambos os trabalhos são lucidamente inusitados.

Pressinto um largo futuro para a compositora Tulipa Ruiz, consequentemente a cantora irá na cola.

Vida longa à carreira de tulipinha!


Por Mario Medella



Para realizar o download, clique no link a seguir:
[Tulipa Ruiz - Efêmera]

25 de setembro de 2010

[Dicas do Melômano] Chamber Music Society - Esperanza Spalding

O disco é uma pequena jóia, muito bem elaborado em seus arranjos, onde notas são lapidadas com minúcia e precisão, explorando-se todas as possibilidades sonoras. Chamber Music Society era o nome da orquestra comunitária, em Oregon, que a mocinha participava como primeiro violino, em sua fase adolescente. A jovem cantora, contrabaixista e professora do badalado Berklee College of Music, mescla com maestria o Jazz com elementos da chamada música "erudita" (não concordo com o termo), sem contar a brasilidade, presente na voz do nosso Bituca e na música de Tom Jobim. Um disco para ser ouvido na penumbra de uma noite morna, em ambiente calmo, confortável e aconchegante.


Por Mario Medella

Clara lança disco novo

A boa é a cantora Clara Sandroni que lança o CD "Gota Pura", dia 04 de outubro, na Modern Sound, com o pianista Paulo Malaguti. Simplicidade e profundidade se encontram no novo trabalho da cantora, que sai pela Biscoito Fino. Ainda há algo de novo no jeito de cantar, no toque do piano, e também na música que dá título ao CD "Gota pura", *tirado da primeira frase da música "Laser" de José Miguel Wisnik e Ricardo Breim. Ou, no "Quase" de Luiz Tatit (gravada também no álbum "Cassiopéia", de 2007, com Clara ao violão) e, na regravação de "Ladeira da memória" de Zé Carlos Ribeiro, que faz parte do repertório de seu primeiro álbum, "Clara Sandroni".



*Show Clara Sandroni:*

*Dia 4 de outubro, segunda-feira, às 19h*

*Local: Modern Sound *

*Endereço: Rua Barata Ribeiro, 502 D, Copacabana*

*Reservas: 2548-5005*

29 de agosto de 2010

[Dicas do Melômano] The Imagine Project - Herbie Hancock (2010)


O álbum foi lançado em 22 de junho de 2010, e posso adiantar, mesmo ainda em agosto, que ele figurará entre os três melhores do ano, quem sabe da década, talvez do século, qui sa do milênio. O álbum, que foi gravado nos mais distantes rincões por todo o mundo e inclui participações de vários artistas, será complementado por um documentário sobre o processo de gravação. Além da indiscutível qualidade musical, que dispensa comentários, a grande sacada é o espírito Intercultural que dá o tom da bolachinha, acho que essa onda é o caminho para a manutenção da boa saúde da música terráquea, mais que nunca é preciso UNIR. O que os nossos tataranetos vão ouvir daqui a 250 anos?

Alguma "vanguarda" invertebrada ou uma fusão de culturas e experiências que criará um corpo substancial e estruturado, e acima de tudo Belo. Ouvindo esta jóia rara, percebe-se claramente que o Herbie prefere o segundo aspecto. Vale fazer aqui um breve desfile das criaturas que tocam e cantam com o "vovô" do Pop-Jazz-Funk-Soul-Samba-Beach-Rock-Blue's:

P!nk, Seal, India.Arie, Jeff Beck, Konono N°1, Oumou Sangaré, John Legend, Céu (essa é brazuquinha), Susan Tedeschi, Derek Trucks, The Chieftans , Toumani Diabaté, Lisa Hannigan, Juanes, Tinariwen, K'naan, Los Lobos, Dave Matthews, James Morrison, KS Chithra, Chaka Kahn, Anoushka, Shankar e Wayne Shorter.

Ufa... agora chegou o momento da contagem progressiva, 1... 2... 3...
iiiiiiiiiiiiiiiiii já!!!




Por Mario Medella

[Dicas do Melômano] A Love Supreme - John Coltrane (1964)



Arte sacra
Qualquer ser humano cuja alma tenha sido tocada pelo poder do jazz nunca mais foi o mesmo. Se teve contato com a música do saxofonista norte-americano John Coltrane (1926-1967), a coisa fica ainda mais séria. Agora, se ouviu "A Love Supreme" então, nem se fala. Gravado em
dezembro de 1964, o disco flagra o quarteto mais famoso de Trane – com McCoy Tyner (piano), Jimmy Garrison (baixo acústico) e Elvin Jones (bateria) – entrosado ao extremo.

Cada um desses músicos fez sua própria revolução com seus respectivos instrumentos e aqui todos eles colocam sua genialidade a serviço da criação de um líder literalmente iluminado. Quer dizer, "Blue Train" (57) e "Giant Steps" (59) já tinham provado que o gatuno egresso da banda de Miles Davis tinha muito mais a dizer, mas isso aqui vai além. Uma peça única, dividida em três atos, dedicada a Deus, o álbum foi produzido e fotografado por Bob Thiele, proprietário da lendária gravadora Impulse!, e extrapola o rótulo de clássico. Trata-se de um verdadeiro monolito de genialidade humana – gospel music que converte até o mais ferrenho dos ateus. Amém, Senhor!

Por Rodrigo Brandão

27 de agosto de 2010

[Dicas do Melômano] A Tábua de Esmeralda - Jorge Ben (1974)


Psicodelia sóbria
Nem a heroína dos jazzistas, nem o ácido dos psicodélicos tampouco a ganja dos estúdios jamaicanos: foi com a cara limpa e doses cavalares de misticismo do bom que se conceberam as maiores obras-primas do samba-soul/samba-funk, especialmente o iluminado “A Tábua de Esmeralda”. Como a outra pedra preciosa do período, “Tim Maia Racional I e II” , “Tábua” foi inspirado em uma crença pouco ortodoxa – a Alquimia, no caso –, e baseada em um livro (“A Tábua Esmeraldina”, um dos muitos atribuídos a Hermes Trismegisto, autoridade máxima entre alquimistas).


Não se sabe ao certo o porquê de Jorge (ou Tim) ter se aventurado por
caminhos tão inesperados, mas o fato é que a viagem, enquanto não teve
volta, lhe rendeu a mais forte inspiração de sua incrível primeira fase
acústica. Dissolvido entre cordas e canções de amor, esse ingrediente místico fez ebulir um samba do crioulo doido irresistível,
no qual nenhuma faixa escapa. Todas são fantásticas.


O delírio de Jorge foi essencial para a excelência do disco mas o
vapor não subiria tão alto não fosse sua conhecida despretensão ao
compor – vomitando versos para só depois saber para onde eles iriam – e
incrível intuição rítmica. Uma fórmula mortal de grooves jorrou do
cadinho do Babulina para além do sambalanço e samba-rock que ele já
tinha inventado e novas formas de suingar foram criadas. Só mesmo as pessoas de
temperamento sórdido não dançaram.
por Daniel Setti


O fato de eu ter escrito um breve artigo na coluna "Mitos Fritos", não
significa que eu repudie a obra do Ben, tanto que acabo de postar este
disco histórico e antológico na coluna "Dicas do Melômano".
Tive essa vontade quando me deparei com as palavras do Daniel no bom
site do Radiola Urbana, me dirigi a uma das 27 estantes do cafofo,
peguei o vinilão e simplesmente ouvi, e aqui está o post.
Vale a pena repetir que a "Mitos Fritos", não foi criada para
desvalorizar a obra de quem quer que seja, nem para "esculachar"ninguém,
muito menos para servrvir de trampolim, onde eu atire aos tubarões da
infâmia, todos os artistas que por essa ou aquela razão não se afinem
com meu pobre gosto personal, ou ainda "fritar" de maneira inconsequente
o trabalho de toda uma existência.



Por Mario Medella

19 de agosto de 2010

[Dicas do Melômano] Upojenie Anna Maria Jopek & Pat Metheny (2002)


O álbum "Upojenie", surpreende mais pela velha e conhecida guitarra de Pat Metheny, do que propriamente pela voz da cantora poloneza Anna Maria Jopec, mesmo assim vale esgota-lo até as últimas audiências. As canções no idioma pátrio da cantora devem ser digeridas de forma
homeopática, também para que os arranjos do "guitarman" possam ser sorvidos por todos os ângulos., a guitarra de Metheny ora soa como cítara, ora como harpa e as vezes até como guitarra, pudera, segura aí o que o indivíduo toca no disco: Pikasso Guitar 42 cordas, Baritone Guitar, Classical Guitar (violão), Soprano Guitar, Roland Guitar Sythesizer, Acoustic Guitar, Electric Guitar e teclado, coisa de doido. E como a galera aprecia um rótulo, o estilo da bolachinha é "Smooth contemporâneo", que tal? Atenção internautas! dêem a partida e mãos ao disco.



Por Mario Medella

[Dicas do Melômano] Te Amare (Las Canciones de Amor Mas Populares de la Nueva Trova Cubana) - Vários



Este álbum lançado pela Egrem na inigualável primavera cubana de 1993, prova por A+B que canções de amor não precisam ser pegajosas, repletasde clichês e chavões, daquelas que a gente adivinha o próximo verso semnunca ter ouvido a música antes.

Isto se dá apenas pelo aspecto poético? Não, o caminho melódico, a progressão harmônica e a roupagem (arranjo),também contribuem significativamente para se avaliar o grau de "viscosidade" de umasuposta canção de amor.

O disco reúne os expoentes da Nueva Trova Cubana, como Silvio Rodriguez, Pablo Milanés, Noel Nicola, Amaury Pérez Vidal, Miriam Ramos, KikiCorona e outros.Vale a pena ouvir as canções, ao toque da brisa de Varadero e da magiade Matanza.


Por Mario Medella

[Dicas do Melômano] É Batata! - Tio Samba


A banda é formada por: Carlos Mauro (voz & gaita), Simone Lial (voz), Gilson Santos (trompete), Whatson Cardozo (clarineta & sax alto), Marcio Arese (sax tenor), Fabiano Segalote (trombone & bombardino), Davi Nasa (tuba), Thiago Cunha (cavaquinho), Bernardo Dantas (violão de 7 cordas), Fred Alves, Felipe Tauil e Marconi Bruno (percussão).

O Tio Samba, orquestra típica de samba formada em 1998, apresenta um repertório de composições de Noel Rosa, Ismael Silva, Geraldo Pereira, Ary Barroso, Cartola, Baden Powell, Tom Jobim, Chico Buarque e outros autores geniais, dando-lhes nova roupagem com arranjos que unem os característicos instrumentos de cordas e percussão dos grupos regionais de samba e choro aos sopros geralmente utilizados nas bandas de música. Conta ainda com dois cantores que atuam também em dueto, em interpretações muitas vezes teatrais e hilariantes. O resultado é uma sonoridade diferenciada, muito vibrante e também sofisticada. Suas apresentações são um convite para a dança e, ao mesmo tempo, um presente para os mais exigentes ouvidos, amantes do samba orquestrado.
O grupo já tocou com grandes compositores e intérpretes do samba, dentre eles, Wilson Moreira, Walter Alfaiate, Delcio Carvalho, Tia Surica e Paulo Marquez, além de ter se apresentado com artistas como Nana Caymmi, Germano Mathias e Luciana Alves. Em seu currículo incluem-se apresentações em diversas casas de espetáculo, destacando-se a Sala Sidney Miller, da Funarte, o Centro Cultural da Light, o Teatro Rival, o Teatro Municipal de Niterói, a Choperia do Sesc-Pompéia, o Centro de Convenções do Anhembi, o Rio Scenarium e o Centro Cultural Carioca.
O Tio Samba tem se especializado em projetos homenageando figuras centrais da história de nossa música popular, como Ary Barroso (Café Zurrapa, 2003) e Carmen Miranda (É Batata!, 2009), por ocasião de seus centenários de nascimento. Em setembro de 2003, o Tio Samba lançou seu primeiro CD, Quero Ver (Ethos Brasil / Tratore), com composições próprias e obras de nomes consagrados do samba. Atualmente, está divulgando o CD É Batata! (Centro Cultural Carioca Discos/Universal), cujo lançamento aconteceu em janeiro de 2010.

17 de agosto de 2010

[Dicas do Melômano] Coisas - Moacir Santos (1965)



"Coisas" recebeu este nome por humildade de seu autor, Moacir Santos , que preferiu batizar suas composições de "coisas" ao invés de "opus", pois não as achava à altura de tal título. E o título não poderia ser mais feliz, pois a criação do maestro foi e ainda é um conjunto de peças indecifráveis e inclassificáveis. São mais que músicas, são coisas, são outras coisas. Moacir Santos fundiu orquestrações e linhas de metais com percussões afro, o que resultou explosivo em arranjos cinematográficos.

Após lançar este disco, não por acaso, o regente deixou o Brasil para, entre outras coisas, escrever trilhas sonoras nos Estados Unidos, onde morou até o final de sua vida. "Coisas", por sua vez, saiu de catálogo
para entrar para história. Felizmente, foi relançado em CD, em 2004.

Em entrevista ao site Mr.Samba, o compositor define música "como a rosa:
tudo tem que ser perfeito. Você encontra tudo como num desenho, é uma
beleza, é uma coisa". "Coisas" é isso: as músicas são como
esculturas. Quando se escuta, de tão sólidas, tem-se a impressão de que
são objetos, que podem ser vistas; tem-se a sensação de que se pode
tocá-las.




Por Rodrigo Silveira

11 de agosto de 2010

[Dicas do Melômano] Buena Vista Next Generation - The Sons Of Cuba (2006)

Lançado em CD e DVD, “The Sons Of Cuba - Buena Vista Next Generation” é um título bastante sugestivo, um verdadeiro passeio pela música cubana, tradicional e moderna.

As faixas do CD fazem parte da trilha sonora do documentário “The Sons Of Cuba - Buena Vista Next Generation”, com produção de Wim Wenders - o mesmo do longa-metragem “Buena Vista Social Club” -, lançado no final dos anos 90 e dirigido por German Kral.

O disco tem músicas dançantes que misturam elementos eletrônicos do Hip Hop e nomes como a rapper Telmary Diaz, o grupo pop Chiki Chaka Girls, Mayito Rivera (da banda Los Van Van) e Pedro “El Nene” Martinez (herdeiro do bolero).

A faixa “Negrito Bailador” é emocionante. Gravada ao vivo em um show na cidade de Tókio, Japão, Mayito Rivera conduziu a banda solfejando o som de instrumentos de marcação, até que o grupo inicia a música de forma triunfal. Nessa canção ainda podem ser conferidos solos magníficos.

Cuba tem uma cultura fechada, de tradições muito arraigadas, no entanto este é um trabalho que nos mostra um país moderno, que valoriza a força dos ritmos cubanos formais, mas tem espaço aberto para a nova geração, que agrega novos ritmos, novos instrumentos, energia e ainda mais
riqueza ao som de Cuba.



Por Kátia Dechen

9 de agosto de 2010

[Dicas do Melômano] Stória, stória... - Mayra Andrade


Gravado em Paris, Rio de Janeiro, São Paulo e Havana, o álbum "Stória, stória...", produzido pelo brasileiro Alê Siqueira, é uma jóia da chamada World Music (afinal de contas na parte "chique" da Europa e nos EUA, o que não é Jazz, nem Rock, nem Pop pegajoso, é World Music). Enraizado nos ritmos de Cabo Verde (morna, coladeira, bandeira...) o disco é também uma mistura de elementos da música brasileira e cubana com um levíssimo e refinado ar de Jazz. Mostrando canções vivas e otimistas com brilhantes arranjos de metais, como em "Tchapu Na Bandera" e "Badiu Si", e também baladas românticas( sem excesso de açucares), como "Morena Menina Linda", com arranjos de Jaques Morelenbaum. Mayra é cubana de nascimento e passou pelo Senegal, Angola, Alemanha e Cabo Verde, desde 2003 vive em Paris. E com apenas 25 anos ganha o mundo com seu segundo álbum, demonstrando uma criatividade e uma versatilidade até então nunca vistas no cancioneiro Caboverdiano. A menina prova por a+bxc ao quadrado que é possível ser moderno e atual sem romper com as tradições, que preservadas e utilizadas sem purismos exacerbados, evitam o esfacelamento cultural de um povo. Misturar, integrar, acrescentar, fundir, são fatores imprescindíveis para a boa saúde da música terraquea. E isso a mocinha, seus músicos e arranjadores fizeram muito bem.

5 de agosto de 2010

[Dicas do Melômano] Japanese Melodies for Flute and Harp - Jean Pierre Rampal & Lily Laskine


Este fabuloso álbum lançado originalmente em 1978 pela Columbia Masterworks do flautista francês Jean Pierre Rampal com a harpista também francesa, filha de russos, Lily Laskine, é um daqueles discos que vem provar e comprovar que a essência da música realmente não é deste mundo. O álbum foi gravado na França, com arranjos especiais feitos pelo compositor Akio Yashiro. Não há notas sobre a arte da capa, mas é um trabalho maravilhoso, no melhor estilo tradicional japonês. Vale a pena "caçá-lo" e "flutuar" em viagens interiores, sob os efeitos da única "droga" verdadeiramente recomendável: o encantamento e a estesia provocados pela beleza. Bon voyage!

1 de agosto de 2010

[Dicas do Melômano] Fruto Proibido: Rita Lee & Tutti Frutti

Considerado pela revista Rolling Stone como um dos 20 melhores álbuns de todos os tempos da música brasileira, o disco Fruto proibido , de Rita Lee & Tutti Frutti, está comemorando 35 anos. Lançado em junho de 1975, projetou Rita e sua banda para o sucesso com um trabalho original,
criativo, amoroso, irônico, em que se sobressai, além da poesia instigante de Rita, a força dos arranjos dos músicos do Tutti-Frutti liderados pelo guitarrista Luiz Carlini e pelo baixista Lee Marcucci.


Por Lia Machado Alvim
(13/07/2010)

[Dicas do Melômano] Inteira: Tatiana Parra

Ex-vocalista de Rita Lee, Sandy & Junior, Ivan Lins e Toquinho, a cantora Tatiana Parra lança seu primeiro álbum, Inteira. Desde a infância circula por estúdios de gravação cantando jingles e fazendo backing vocal. A primeira experiência foi aos cinco anos no Estúdio Lua Nova, do compositor Thomas Roth. Entre comerciais, encomendas e atuação ao lado de nomes como Ivan Lins, Rita Lee, Toquinho, Chico Pinheiro, André Mehmari e a dupla Sandy & Júnior, ela sempre quis iniciar carreira-solo. Não é à toa que Tatiana Parra se sente vitoriosa ao lançar o álbum Inteira, pela Gravadora Borandá. O título cabe como uma luva nesse momento especial na carreira da cantora e compositora. Sem medo de se expor, Tatiana está pronta a ouvir críticas, mas sem deixar de curtir a concretização de um sonho. "Tenho uma auto-crítica tão exacerbada, que prefiro encarar esse momento com um ouvido menos clínico e cirúrgico", explica a cantora, lembrando o quanto é difícil no Brasil ser artista e pagar as contas.

Para produzir o primeiro álbum-solo, Tatiana Parra contou com a preciosa ajuda do amigo Marcelo Mariano, filho de César Camargo Mariano. Foi ele que convenceu o pai a fazer os arranjos da música "Bandeira", de Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro. A cantora lembra que quando Marcelo ouviu música comentou: "Queria chamar meu pai". Incrédula, Tatiana Parra disparou: "Será que ele topa?" Topou. Além dos arranjos, César Camargo Mariano também tocou piano, imprimindo sua marca na música "Bandeira", ao lado do flautista Teco Cardoso.
* Bandeira - Tatiana Parra

Definir as 11 faixas do álbum não foi tarefa fácil. Tatiana Parra só não queria abrir mão de canções de Ivan Lins, Chico Pinheiro e Sérgio Santos. As outras faixas incluem Tom Jobim e Vinícius de Moraes, pela influência bossa nova dos avós; Milton Nascimento, pelo caldeirão musical que representou o Clube da Esquina; e os compositores parceiros da própria Tatiana: Dani Gurgel, Pedro Viáfora e Giana Viscardi. "Eu me alimento dos meus contemporâneos", resume a cantora.

Tatiana Parra detalhou todo esse processo em entrevista a Alexandre Ingrevallo, em 15 de junho, dois dias antes do show no Sesc Pompeia, em São Paulo.
* Tatiana Parra: ser artista no Brasil é coisa pra guerreiro! -


Por Shirley Ribeiro
(20/06/2010)

27 de julho de 2010

[Dicas do Melômano] Mosaico: Toquinho



O ano de 2000 oferecia a Toquinho a oportunidade de fazer música com um novo parceiro: Paulo César Pinheiro. Parceria que fôra ensaiada em várias situações, mas que só então frutificava em função de um texto de Millôr Fernandes para teatro baseado nos quinhentos anos do descobrimento do Brasil. Toquinho e Paulo César Pinheiro criaram oito canções para a trilha musical da peça "Outros Quinhentos", que teve vida curtíssima. Parece que o melhor da peça foi mesmo a trilha musical. Conhecedor profundo das histórias e das lendas que fazem do Brasil um país de lampejos de esperança e sonhos naufragados em sucessivas decepções políticas, Paulo César Pinheiro, alicerçado na persuasiva melodia de Toquinho, acabou caracterizando em suas letras o ilogismo fantástico que impera em nossa nação desde a chegada dos portugueses e seus contatos com os índios até os variados tipos de cortes que têm desgovernado esse país. Além das oito músicas que integraram a trilha da peça teatral, Toquinho e Paulo César Pinheiro criaram mais quatro canções que completam as doze componentes do álbum Mosaico, lançado em novembro de 2005.


Por Circuito Musical
(Distribuidora Independente)

24 de julho de 2010

[Dicas do Melômano] O trio: O Trio

Nos estertores dos anos 80, quando o "ploc rock" nacional dava seus últimos suspiros, três músicos da pesada formavam o trio "O Trio" - Paulo Sérgio Santos (clarineta), Maurício Carrilho (violão) e Pedro Amorim (bandolim) - indo totalmente contra a maré dos samplers e das mirabolantes performances eletrônicas que já anunciavam as tendências massacrantes e medíocres dos anos 90. Em 1993, "O Trio" grava em Paris o disco homônimo e papa dois prêmios sharp como melhor grupo instrumental e melhor disco instrumental. Vale a pena ouvir com calma as "jóias" contidas na bolachinha.



Por Mario Medella

20 de julho de 2010

Dicas preciosas para ouvidos iniciados

Toda vez que vocês avistarem no menu do blog o título "Dicas do Melômano", podem exclamar: disco a vista! ou melhor "a ouvido". A modesta coluna trará dicas de cds de forma atemporal e imparcial, ou seja, não se fixando em lançamentos e muito menos em modismos, sem observar época, estilo, gênero, segmento, ou qualquer coisa que sectarize a música, o único critério será a beleza do conjunto (arranjo, conteúdo, composição, interpretação e execução).

E não pensem que a coisa girará em torno do meu gosto pessoal, vários dos discos que passarão pela "Dicas do Melômano" nem sequer figuram nas estantes do meu cafofo, e olha que a coleção náo é pequena. Isto porque, sendo músico, e um ser pensante e "sentinte", tenho que admitir o valor artístico e estético, quando realmente existem, mesmo daquelas obras que pouco me agradam.


por Mario Medella